← Voltar ao Blog

Meu filho não sabe o que fazer diante do vestibular: por onde começar

Seu filho não está perdido ou desinteressado. Ele ainda não teve espaço para nomear o que sente.

A cena costuma se repetir. O terceiro ano avança, o vestibular se aproxima e a pergunta “que curso você vai fazer?” passa a rondar o almoço de domingo. Do outro lado, um silêncio, um “não sei”, um assunto que ele desvia ou uma clara irritação. Os pais se preocupam diante do cenário e, muitas vezes, não sabem mais o que fazer para ajudar.

A indecisão diante do vestibular raramente é falta de opção. Pelo contrário: é excesso de expectativa sobre uma escolha que ninguém ensinou a fazer. Aos dezessete anos, seu filho precisa decidir sobre uma vida que ainda não viveu, com base em profissões que conhece só por fora, pelo que ouviu dizer nas palestras da escola, pelo que pesquisou na internet.

O reflexo mais comum é tentar resolver isso rápido. Um teste vocacional on-line, uma conversa com aquele tio que se deu bem, uma lista de cursos com mais empregabilidade. Tudo isso oferece uma resposta pronta. O problema é que resposta pronta não resolve uma dúvida que não é sobre escolha de um curso: é sobre identidade.

O que ajuda é o inverso de acelerar. É criar um espaço onde ele pode se conhecer minimamente antes de qualquer conclusão. Um processo de orientação vocacional começa entendendo quem é aquela pessoa, a trajetória dela, o contexto social, a vida que deseja ter e o que a move de verdade. A partir dessa leitura ampla, a escolha de um curso deixa de ser um chute no escuro e passa a ser uma direção consciente. Não é sobre “descobrir uma vocação escondida”. É sobre dar clareza a uma decisão importante com direção e método.

Seu papel nessa escolha é mais valioso do que parece, e algumas posturas são fundamentais para ajudar seu filho nesse momento de vida. Acolha seu filho com amorosidade e empatia: o momento da escolha profissional é naturalmente angustiante. Seu filho não está apenas decidindo sobre o futuro, o que já é muita coisa, está também se despedindo aos poucos da infância e se vendo diante da vida adulta. Isso gera medo e ansiedade, não só nele, mas em você também.

Compará-lo com alguém também não ajuda em nada: dizer “eu sempre soube o que fazer”, “seu irmão decidiu mais rápido” ou “seus amigos já escolheram, só você não” apenas aumenta a ansiedade e o sentimento de inadequação. Se a escolha profissional é sobre identidade, cobrar uma resposta rápida é cobrar uma identidade que ainda está em formação.

Escolher por ele, por acreditar que não tem capacidade para decidir sozinho, é a pior das opções: tira dele justamente a experiência de que mais precisa nesse momento — a de aprender a fazer escolhas e confiar nos próprios critérios.

Você não precisa ter a resposta. Precisa garantir que ele tenha onde construí-la, com consciência, direção e embasamento.

Se seu filho está diante dessa escolha, o primeiro passo é uma conversa de escuta. Agende quando fizer sentido para você.

← Ver todos os artigos
Grafismo